Reaproveitar e modernizar para retornos rápidos
Uma das formas mais rápidas e economicamente eficientes de desenvolver uma infraestrutura preparada para hidrogênio é reaproveitar gasodutos de gás natural já existentes. Ao contrário do que muitos imaginam, esses gasodutos mais antigos frequentemente lidam com hidrogênio com mais facilidade do que os mais novos — estes, por terem sido projetados especificamente para metano, seguem especificações mais restritivas. Além disso, operadores de infraestrutura de gasodutos em toda a Europa, muitos dos quais dependem de tarifas de uso para monetizar seus ativos, já veem o hidrogênio como uma opção estratégica para garantir rentabilidade futura.
A fragilização por hidrogênio (enfraquecimento de estruturas metálicas expostas ao gás) é frequentemente citada como obstáculo técnico para esse reaproveitamento. No entanto, operadores de gasodutos europeus não consideram isso um impedimento quando a operação é conduzida com o controle de pressão adequado. Em vez disso, o foco está na modernização correta de elementos como estações de compressores e válvulas, que, combinada ao gerenciamento de pressão, permite que o reaproveitamento seja feito de forma segura.
De fato, segundo o estudo “European Hydrogen Backbone”, o custo médio de reaproveitar a infraestrutura existente e construir novos trechos quando necessário é significativamente menor do que outras modalidades de transporte de hidrogênio, como carretas de hidrogênio comprimido ou transporte de hidrogênio liquefeito, ficando na faixa de €0,11 a €0,21 por quilograma a cada 1.000 quilômetros. A Alemanha, por exemplo, possui mais de 500.000 quilômetros de gasodutos de gás natural, incluindo 40.000 km de dutos de alta capacidade. Reaproveitar mesmo uma fração dessa malha poderia impulsionar a escalabilidade do hidrogênio em toda a Europa, começando por conectar portos a polos industriais.