Pense no CO₂ biogênico como um “tesouro verde”. Assim como um recurso precioso, ele guarda um enorme valor ainda inexplorado, sobretudo na transição para combustíveis de baixo carbono. Para colocar esse potencial em perspectiva: se todo o metanol de origem fóssil pudesse ser substituído por e-metanol produzido a partir de CO₂ biogênico, seria possível eliminar emissões equivalentes às de todo o setor de transporte da Alemanha.
Com frequência, o CO₂ é sequestrado como uma forma de reduzir emissões, oferecendo uma estratégia de mitigação climática de longo prazo. Mas o CO₂ biogênico é valioso demais para simplesmente ser armazenado. Em vez disso, as fábricas de celulose têm uma oportunidade única de utilizar o CO₂ biogênico como matéria prima essencial para a produção de e-metanol, transformando aquilo que antes era visto como o vilão do aquecimento global em uma força para a sustentabilidade e a rentabilidade.
Desbloqueando o potencial das fábricas de celulose
Está claro que o CO₂ biogênico está em alta demanda, mas garantir um fornecimento confiável e em grande escala ainda é um desafio. É nesse ponto que as fábricas de papel e celulose têm uma vantagem clara e distinta. Como parte do processo kraft de polpação, essas unidades geram volumes significativos de CO₂ biogênico, principalmente a partir da combustão de biomassa em caldeiras de recuperação e fornos de cal. De forma crucial, a corrente de CO₂ proveniente dos fornos de cal é altamente concentrada, o que torna sua captura significativamente mais simples e econômica.
Com a infraestrutura adequada, essas fábricas podem se tornar fornecedoras estratégicas de CO₂ carbono neutro, transformando uma emissão operacional em uma matéria prima valiosa para a indústria de e-metanol.
No entanto, apesar dessas vantagens, a maioria das fábricas de celulose ainda não capitalizam o CO₂ biogênico como uma fonte de receita. A inércia do setor — em que abordagens consolidadas há décadas dominam a tomada de decisão — levou a um impasse, com muitos atores aguardando para ver quem dará o primeiro passo. Mas, com a demanda por e combustíveis crescendo rapidamente, as fábricas de celulose visionárias que agirem agora poderão se estabelecer como protagonistas na emergente economia do e-metanol e colher os frutos dessa oportunidade.